top of page

8 cinebiografias de quem fez história | Dia da Consciência Negra


Hoje é celebrado o dia da resistência, da luta, do legado e da memória do povo que carrega nas costas a raiz cultural do Brasil.


O Dia da Consciência Negra é celebrado na data de falecimento do maior guerreiro e defensor da liberdade dos povos negros e quilombolas, Zumbi dos Palmares.


O Dia de Zumbi e da Consciência Negra nasceu em 1971, mas se consolidou como data comemorativa em 2011. O, atualmente, feriado vem para celebrar os feitos de Zumbi e sua esposa Dandara, mas também trazer reflexão para a sociedade de que precisamos valorizar a cultura afro-brasileira e lutar contra o racismo (crime definido pela Lei nº 7.716/1989).


Zumbi e Dandara | Dia da Consciência Negra

Em comemoração ao dia de hoje, vou listar cinebiografias de pessoas pretas que falam sobre resistência, superação e memória. Todos os filmes são nacionais, porque, apesar de existirem filmes internacionais muito bons que falem sobre a resistência e luta de pessoas negras, estamos falando do povo brasileiro (e nada melhor do que filme nacional pra isso).



Quilombo (1984)



O filme, dirigido por Cacá Diegues, é uma obra épica que transporta o espectador para o século XVII. A narrativa começa com a fuga de um grupo de escravizados de um engenho de cana-de-açúcar que, após longa jornada, chegam à Serra da Barriga, em Alagoas, onde fundam o Quilombo dos Palmares. Palmares não é apenas um refúgio, mas uma nação organizada, com suas próprias leis, cultura e liderança.


A história se concentra na sucessão de líderes: de Ganga Zumba, o primeiro grande chefe que busca a paz e um acordo com os colonizadores portugueses, à ascensão de seu sobrinho, Zumbi. Zumbi representa a ala mais radical e intransigente, que defende a luta ininterrupta pela total liberdade e se recusa a aceitar qualquer forma de vassalagem. O filme retrata a vida cotidiana do quilombo, o sincretismo de crenças, as tensões internas de poder e a constante ameaça dos capitães-do-mato e das tropas portuguesas, culminando no cerco e na defesa desesperada do último bastião da liberdade negra na América.



Marighella (2019)



Esta é a cinebiografia de ação e drama dirigida por Wagner Moura, focada na vida de Carlos Marighella (Seu Jorge) entre 1964 e 1969, auge da repressão da Ditadura Militar. Ex-deputado federal e líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), Marighella está na clandestinidade e é considerado o inimigo público número um do regime.


O filme o acompanha em Salvador, onde ele se esconde e mobiliza um grupo de jovens militantes dispostos a pegar em armas. A trama se desenrola em um ritmo tenso, intercalando cenas de planejamento e execução de ações armadas (como assaltos a bancos para financiar a guerrilha) com momentos de reflexão pessoal e convívio familiar, mostrando o alto preço da luta. Do outro lado, o implacável delegado Lúcio (Bruno Gagliasso) comanda uma caçada frenética e cada vez mais violenta, utilizando todos os recursos do Estado para aniquilar o movimento de resistência e capturar Marighella, vivo ou morto.



Cafundó (2005)



O filme, dirigido por Paulo Betti e Clóvis Bueno, é uma viagem poética à vida de João de Camargo (Lázaro Ramos). Depois da abolição, João vive em Sorocaba, no interior de São Paulo. Ele tenta ganhar a vida de diversas formas: é tropeiro, malabarista de circo e, por um tempo, se envolve com o banditismo. Aos poucos, ele se desencanta com o rumo que a liberdade tomou para o povo negro.


Após um evento que o marca profundamente, João passa por uma profunda transformação espiritual. Ele se dedica ao serviço religioso, fundando uma igreja sincrética que incorpora tradições católicas, indígenas e africanas. Ele se torna o Preto Velho, um líder espiritual e curandeiro que atrai fiéis em busca de milagres e conforto, sendo visto como um profeta e um santo popular, cujo poder de cura e de conselho se espalha muito além das fronteiras de sua cidade.



Doutor Gama (2021)



Dirigido por Jeferson De, o filme conta a impressionante e real trajetória de Luiz Gama (César Mello). Aos 10 anos, ele é traído pelo próprio pai, que o vende como escravo para pagar dívidas. O filme mostra Gama sobrevivendo aos horrores da escravidão em fazendas e, posteriormente, em uma casa. Dotado de uma inteligência notável, ele aprende a ler e escrever com a ajuda de um amigo e, eventualmente, conquista sua alforria por meios próprios.


Já livre, Gama se estabelece em São Paulo. Ele se torna um profissional respeitado, mas nunca esquece a dor de seu passado. Sem formação acadêmica tradicional em Direito, ele aprende a lei de forma autodidata e começa a atuar como advogado abolicionista. Sua missão de vida torna-se usar o próprio sistema legal para expor as contradições da escravidão brasileira e libertar centenas de cativos, desafiando a elite e os poderosos de seu tempo com argumentos jurídicos brilhantes e inovadores



Madame Satã (2003)




Dirigido por Karim Aïnouz, o filme se passa no efervescente e perigoso bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, em 1930. A trama se concentra em João Francisco dos Santos (Lázaro Ramos), um cozinheiro e chansonnier com o sonho obsessivo de subir ao palco de um cabaré. Ele vive à margem, em uma pensão com sua "família" de excluídos: a prostituta Laurita e a travesti Tabu.


João é um homem explosivo, vaidoso e que se recusa a abaixar a cabeça para qualquer tipo de opressão. Ele se envolve constantemente em brigas de rua para defender sua dignidade e a de sua comunidade. O filme retrata a violência e o preconceito que ele enfrenta por ser negro e gay em uma sociedade repressora. A narrativa acompanha sua jornada de transformação, desde a pobreza e a prisão até a criação do seu alter ego performático, a temível e glamorosa Madame Satã, inspirada em um bandido parisiense.



Besouro (2009)



Ambientado na Bahia de 1920, em um momento em que a escravidão foi abolida, mas a liberdade e o respeito permanecem distantes para os negros. O filme é uma mistura de ação, drama e realismo mágico. Besouro (Ailton Carmo) é um jovem que herdou do Mestre Alípio não apenas a arte da capoeira, mas uma força quase mágica que o torna um guerreiro imbatível, capaz de desafiar as leis da física.


O grande conflito do filme é a luta de Besouro contra o coronel Venâncio, um latifundiário cruel que usa capangas para manter o poder sobre os ex-escravizados e impedi-los de prosperar. Besouro se torna a esperança e o defensor de seu povo, enfrentando perseguições e traições. A narrativa explora as raízes místicas da capoeira, o uso da religiosidade afro-brasileira e como a lenda de Besouro Mangangá se constrói através de atos heroicos contra a injustiça social e racial.



Mussum, o Filmis (2023)



Uma cinebiografia calorosa e divertida que traça a jornada completa de Antônio Carlos Bernardes Gomes (interpretado por Ailton Graça), o eterno Mussum. A história começa em um Rio de Janeiro vibrante, focando na importância de sua mãe, Malvina, uma figura central que lutou para dar ao filho a educação que ela não teve.


O filme detalha a disciplina de Antônio Carlos durante sua passagem pela Força Aérea Brasileira. Mostra o nascimento do sambista, a criação do aclamado grupo Os Originais do Samba, e como sua personalidade brincalhona e seu timing cômico o levam, quase por acaso, ao mundo do humor. O ápice é sua integração ao grupo Os Trapalhões, onde se torna uma unanimidade nacional com seu linguajar único. A narrativa faz um contraponto entre o Mussum dos palcos, irreverente e beberrão, e o Antônio Carlos por trás das câmeras: um homem responsável, dedicado, ligado à família e consciente de seu papel como figura pública negra.



O Aleijadinho: Paixão, Glória e Suplício (2003)



O filme é um drama histórico que explora a vida complexa de Antônio Francisco Lisboa (Mário Schoemberger) em Ouro Preto, Minas Gerais, no século XVIII. A história é estruturada a partir da velhice do artista, cego e mutilado, quando suas obras de arte já são lendas.


A narrativa retrocede para mostrar o auge de sua carreira: um artista reconhecido, mulato (filho de português com uma escrava), que se move com destreza na sociedade mineira e se apaixona intensamente por Santana, uma escrava. O ponto de virada é o surgimento de uma doença degenerativa misteriosa (possivelmente lepra ou outra patologia) que progressivamente deforma seu corpo, isolando-o do mundo e mergulhando-o em um sofrimento físico excruciante. O filme destaca a obsessão do artista em completar suas obras-primas, como os Doze Profetas de Congonhas, mesmo quando precisa ter ferramentas amarradas aos pulsos por um fiel assistente, transformando a dor em arte eterna.








 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Introdução
bottom of page